04 fevereiro 2015

Os 4 temperamentos

- A palavra temperamento vem do latim temperare, que significa "equilíbrio". Esta noção está ligada à teoria dos humores de Empédocles e de Hipócrates, na qual se defende que a saúde do ser humano depende de um equilíbrio entre os elementos que compõem este mesmo ser.
Em Psicologia, temperamento é mais comumente entendido ao que se refere ao aspecto da personalidade e diz respeito às disposições e reações emocionais, bem como de sua rapidez e intensidade. (bom, esse conceito é de alguns psicólogos, nada generalizado. O temperamentos é um conceito diferentes para muitos outros psicólogos.)

- Alguns outros acham que: Temperamento inclui elementos de energia: atividade, intensidade, vigor e ritmo de movimento tanto na fala quanto no pensamento; de reatividade: aproximação e afastamento de estímulos; emocionalidade e sociabilidade;
A origem do temperamento deve ser procurada em disposições biológicas;
As manifestações do temperamento são mais estáveis durante a vida de um indivíduo do que em qualquer outro aspecto da personalidade, etc...

Hipócrates atribui-se o fato de a medicina preocupar-se com problemas psiquiátricos e assim com suas observações com os diferentes comportamentos humanos ele formou uma teoria para explicar esses problemas!

Com isso surgiu os quatro temperamentos:
- Sanguíneo = sangue = vida
- Colérico = Bílis amarela = ira, explosão
- Melancólico = Bílis negra = tristeza
- Fleumático = Fleuma = falta de emoção, passivo
 
SANGUÍNEO

O sanguíneo é comunicativo, destacado e entusiasta. Porém é volúvel, impulsivo e indisciplinado.
Suas características marcantes é o calor e a profundidade de suas emoções, a ação dinâmica, estilo vibrante, decisivo e falante. Um sanguíneo geralmente é muito sincero, entusiasmado, companheiro, desinibido, amável, simpático e com fácil adaptação ao meio ambiente. E não esquecendo, o sanguíneo também é generoso, inquieto, egoísta, compassivo, instável emocionalmente, etc...
É sempre cordial, eufórico e vigoroso. Receptivo por natureza, toma suas decisões pelos sentimentos e não através dos pensamentos ponderados.
Pela natureza apaixonada e envolvida que possui, contagia um ambiente repleto de pessoas pela sua presença.
Por não gostar de solidão e Ter grande convívio social, o sanguíneo sempre tem amigos. E são alvo de inveja de pessoas de temperamentos mais tímidos.
São bons vendedores, funcionários de locais de atendimento ao público, professores, conferencistas, atores, operadores, pregadores e ocasionalmente bons chefes.
 
Porém o sanguíneo tem grande dificuldade de se encontrar,  isto porque sua capacidade de autoanálise, introspecção e análise são reduzidas. Podem perder oportunidades importantes em suas vidas justamente pela falta de senso ao julgá-las.

COLÉRICO

É ardente, vivaz, ativo, prático e voluntarioso. Por ser decidido e teimoso, torna-se autossuficiente e muito independente.
Por ser ativo, estimula os que estão ao seu redor, não cede sobre pressões. Possui uma firmeza no que faz, o que o faz frequentemente obter sucesso.
Não é dado as emoções, por ser pouco analista, não vê as armadilhas na sua trajetória.
Muitos líderes mundiais e grandes generais foram coléricos. São sempre bons gerentes, planejadores, produtores ou ditadores.
Quando a grafia é negativa, sai de perto porque o colérico é passível de acessos de raiva e irritação. Falando em colérico, logo pensamos em cólera, que significa raiva. Realmente o humor deste temperamento é o mais esquentado, mas isto não quer dizer que a pessoa seja má ou raivosa, mas que ela tem muita energia para gastar.

O colérico é um ser irradiante como o sanguíneo, mas no plano intelectual com ponderação e medida. Sua energia manifesta-se por resoluções inquebrantáveis (decidiu, está decidido e pronto!)... (muito divertido discutir com colérico, tem que ver, não há opiniões dos outros, a dele sempre será a certa -.-')

É de caráter sério, sóbrio, concentrado, reflexivo e raciocinado. O tipo mais puro é lacônico, simplifica seus gestos, palavras exercendo um domínio constante sobre seus nervos e emoções. Sua vitalidade é forte. A sociabilidade é um meio para alcançar um fim.
Se praticar esportes, acaba querendo competir, nem que seja consigo mesmo: hoje eu fiz isso em tanto tempo, amanhã vou fazer mais rápido. Em tempos antigos, o colérico seria um guerreiro, um cavaleiro, mas hoje em dia tudo o que não for relativamente inócuo ou controlado pelo governo é socialmente inaceitável. A questão principal, de qualquer modo, é que o colérico precisa de atividades que envolvam o dispêndio de energia.
Sua facilidade de contato lhe proporciona amigos em todas as partes. Sua afabilidade e agradável trato o fazem uma pessoa simpática e atrativa. Necessidade de ser aclamado e sentir-se importante em todos os lugares que transita. Tendência a ver as pessoas, os fatos e as coisas segundo lhe inspirem simpatia ou repulsão.
Sua memória é mais visual do que auditiva. Retém pouco as conversações; os discursos o comovem, mas não ficam fortemente gravados em sua memória, todavia recorda com grande facilidade imagens e impressões visuais.

MELANCÓLICO


É analítico, abnegado, bem dotado e perfeccionista. Isto o faz admirar as belas artes.
É introvertido por natureza. Mas as vezes é levado por seu ânimo a ser extrovertido. Outras vezes enclausura-se como caramujo, chegando a ser hostil.
É amigo fiel, mas não faz amigo facilmente, por ser desconfiado. Tem habilidade de analisar os perigos que o envolve. Força-se a sofrer e sempre escolhe uma vocação difícil, que envolva grande sacrifício pessoal.
Muitos dos grandes gênios do mundo, artistas, músicos, inventores, filósofos, educadores e teóricos, eram melancólicos.
As fraquezas que este temperamento possui, podem, de outro lado, neutralizar os pontos fortes. A tendência é que seja genioso, crítico, negativista, pessimista e até egocêntrico. Um melancólico tem a tendência natural de sacrificar-se por aquilo em que acredita. No entanto, esta característica pode conduzi-lo ao orgulho.
O complexo de inferioridade é outra característica típica do melancólico: ele tem a tendência de não se considerar capacitado para as tarefas que lhe são designadas.

É importante ressaltar, e fácil perceber que o melancólico possui constante alteração de humor. Outra característica é o desejo de sacrificar-se para elevar a autoestima, porém, através do autorrebaixamento. Por seus parâmetros e qualidade perfeccionista, o melancólico tem dificuldade em delegar funções. De outro lado, seus trabalhos são entregues com alto padrão de qualidade, boa forma, cuidado estético, precisão em alto nível. Ao mesmo tempo, sempre pedirá prorrogação dos seus prazos para conseguir entregar algo melhor, algo que necessitará ser revisado.
Destaca-se a tendência à depressão, advinda da auto piedade, mesmo sendo bondosas exteriormente, sofrem por muito tempo e isto mantido gera um complexo de perseguição ou ainda completa apatia presente nesta pessoa.

FLEUMÁTICO

É calmo, frio e bem equilibrado, raramente explode em riso ou raiva, mantendo sempre suas emoções sobre controle. É o único tipo de temperamento coerente, mas tem muito mais emoção do que demonstra.
Por gostar do convívio social, não lhe faltam amigos, mas sempre encontra algo de engraçado nos outros. É simpático e tem bom coração. Não se envolve nas atividades alheias, sendo muito capaz e eficiente.
É conciliador e pacificador. São bons diplomatas, administradores, professores e técnicos.
Todas as qualidades do pacífico, prático, bem-humorado, leal, calmo e eficiente, cumpridor de seus deveres, conservador em seus princípios, mas também é calculista, temeroso, indeciso, contemplativo etc...
Geralmente, são simpáticos, trabalham bem com e para pessoas. Possuem capacidade prática e eficiente ao receber responsabilidades; espirituosa e digna de confiança, conquista as pessoas ao seu redor. Devido ao seu estilo introvertido, tanto suas qualidades quanto fraquezas podem ficar menos visíveis quanto aos outros comportamentos mais expressivos.
Quando recebem uma motivação externa podem tornar-se bons líderes.
São pacificadores natos. Encontram maneiras gentis e eficientes com as pessoas, não criando atritos.

Os Fleumáticos possuem uma boa característica de mensurar aquilo que podem assumir de responsabilidade, ou seja, o “tamanho do seu fardo” e geralmente não toma nada além daquilo que podem de fato “dar conta”. Isto se dá, em grande parte, por terem medo de perder, de falhar perante os outros.
Sente muito mais emoção do que demonstra e tem grande capacidade de apreciar as belas artes e as melhores coisas da vida.
Sugere características de morosidade, de indolência, de desconfiança e imprecisão. Suporta alto nível de pressão naquilo que vive.
Seu ponto forte é o seu equilíbrio e serenidade. O pecado dominante é a omissão e a rotina. O remédio é a ascese da responsabilidade. O equilíbrio dinâmico do Fleumático se consegue no imprimir mais firmeza e paixão em seu comportamento. Ele precisa amarrar-se numa estrela. Precisa ser movido por um grande ideal. Pouco Ardoroso na Espiritualidade Também nisso é acomodado. É de pouco esforço.

Calmo, frio, bem equilibrado; A vida para ele é uma experiência feliz, serena e agradável – pouco se envolve;
Embora seja tímido, gosta do convívio social, para ele não faltam amigos; Tem um mordaz senso de humor ingênito – é o tipo de indivíduo que consegue manter muitas pessoas "as gargalhadas" sem jamais deixar escapar um sorriso; Possui a capacidade única de encontrar algo de engraçado nos outros e nas ações deles; Possui um cérebro organizado, ótima memória e, freqüentemente é um ótimo imitador; Simpático e de bom coração; Cumpridor;
Eficiente; Prático; Nunca aceitará a liderança por sua própria vontade, mas quando ela lhe é imposta prova ser um chefe capaz. Diplomata - exerce uma influência conciliadora sobre as pessoas e é um pacificador inato.

14 janeiro 2015

Relacionamento familiar

A família é um sistema vivo onde os componentes reagem e influenciam-se uns aos outros de forma recíproca. Há vínculos afetivos e psicológicos envolvidos numa relação familiar, e ao mesmo tempo espaços de privacidade, de autonomia e de individualidade que devem ser respeitados.

As pessoas de uma família desenvolvem o que chamamos de vínculo ou vínculo parental, que são os laços afetivos e emocionais que unem pessoas tão diferentes entre si. É justamente por serem diferentes que surgem os conflitos.

Os conflitos, muitas vezes inevitáveis não devem ser vistos de forma negativa pois quando bem trabalhados e resolvidos são uma boa oportunidade para crescer e fortalecer os laços, já que nós crescemos quando aprendemos a lidar com as diferenças do outro.

O primeiro passo para viver bem e manter um relacionamento familiar saudável é conhecer a si mesmo, suas limitações pessoais e características de personalidade e segundo compreender que o outro também tem suas limitações pessoais que devem ser consideradas.

DINÂMICA FAMILIAR

Os casais herdam de suas famílias de origem formas de se relacionar e de estar em família

Exemplos: formas de educar filhos, de reagir e de se relacionar com o cônjuge, formas de comunicação e até formas de reações emocionais. Esses padrões podem ser saudáveis ou nocivos para o funcionamento da família.

Outro aspecto incluído no relacionamento familiar são as regras de convivência, estas regras devem ser estabelecidas desde cedo, e inclui o respeito aos pais, a privacidade, o saber ouvir, formas de falar e discutir os problemas e de resolver os conflitos. Não se pode esquecer que estas lições são valiosas e acompanharão os filhos durante toda a vida, pois a família é um modelo vivo de convivência, comunicação e respeito com o próximo.

Cada etapa da formação familiar é um período específico que requer cuidados especiais: nascimento do filho, entrada no filho na escola e adolescência, saída dos filhos de casa, etapa da terceira idade e morte.

Já que a família é como um organismo vivo, temos que cuidar para que ela seja sempre saudável, mas ela também pode adoecer. Alguns sintomas podem surgir em um ou mais membros da família e são:

· depressão,
· transtornos de ajustamentos,
· retração social,
· queda no desempenho escolar,
· conflitos de gerações e desentendimentos conjugais dentre outros,
· busca por drogas,
· abuso do álcool.

Uma família está saudável quando faz um planejamento familiar; se adapta aos ciclos familiares; cultiva o respeito da autonomia e da liberdade dos componentes; existe autoridade e regras; comunicação direta, clara e sincera e disponibilidade para mudanças.

Para uma educação adequada dos filhos os pais devem pensar juntos em um plano de educação para os filhos e ter um planejamento de comum acordo, onde pai e mãe (ou se os filhos moram com outras pessoas que não os pais) possam “falar a mesma linguagem”, ou seja, as regras devem ser respeitadas. Para isto, os pais devem:

· Evitar discutir a educação dos filhos na frente deles,
· Construir um sistema de educação preventiva com diálogo aberto e justo desde a infância.
· Produzir tempo de qualidade para estar com os filhos
· Tomar cuidado com a palavra ‘sim’
· Mostrar afetos positivos aos filhos. Filhos precisam ser amados em prática

APERFEIÇOANDO O RELACIONAMENTO CONJUGAL

Entre si, os cônjuges devem:

· Ter certeza de seu amor antes de se unirem.
· Pensar sobre sua família e conversar sobre ela.
· Estar disposto a falar e a ouvir é imprescindível
· Usar as discussões para crescimento e como comunicação e não para atacar ou como cobranças.
· Não busque culpados, diga como se sente.
· Ouça como o outro se sente.
· Ouça com atenção e sem interromper, identifique a situação problema, pergunte sobre os sentimentos
· Indague sobre possíveis soluções, comprometa-se com a mudança, proponha atitudes e mude.

Em alguns casos a psicoterapia é mais adequada, ao perceber a dificuldade em se comunicar, ou ao sentir-se angustiado ou com dificuldade em cuidar dos filhos procure ajuda de um profissional. Ele o ajudará a cuidar de sua família, identificando os problemas e buscando em conjunto a melhor solução para eles.

- por Flávia GRC

12 janeiro 2015

"Eu não quero envelhecer"

“Todos queremos ser especiais! Nisto somos todos iguais”, disse Carlos Drummond de Andrade. Esta afirmação aponta para uma carência essencial que a todos acompanha: gostaríamos de ser o filho especial, ser o profissional de destaque, ou até ser reconhecido pelo esforço de não sermos notados. Mas, de alguma forma gostaríamos de ser especiais….

Mesmo querendo ser especiais ou diferentes, todos temos ao menos um ponto em comum: ricos e pobres, cristãos, muçulmanos ou budistas, de sábios eruditos a idiotas iletrados, todos igualmente, morreremos… Salomão chega a ironizar esta situação, cruelmente dizendo que os seres humanos, que se julgam tão superiores, são, na verdade, iguais aos animais, pois, tanto este quanto aquele, morrem…

Caso o ciclo existencial transcorra sem grandes novidades, a morte será precedida de um estado pouco desejado: a velhice. A velhice é um problema para a humanidade! Poucos estão realmente preparados ou dispostos para o crepúsculo da vida. Muito já se sonhou com o “elixir da juventude”: medicamentos, alimentos, plantas, cirurgias, estilo de vida e outros elementos que possam retardar o fato a ser consumado: a velhice.

Gostei da resposta do mundialmente celebrado cirurgião Ivo Pitangui, quando perguntado como ele se sente sendo o responsável por deixar tantas pessoas mais jovens. Sua frase foi curta: “Eu não deixo ninguém mais jovem. Apenas deixo as pessoas velhas com aparência de mais novas – mas elas continuam velhas”. Pitangui tem a exata noção do seu trabalho: ele é um “maquiador”.

O nome Olacyr de Moraes certamente não será do conhecimento da maioria dos leitores deste artigo. Ele foi o Rei da Soja no Brasil dos anos 80 e tornou-se o “Primeiro Bilionário Brasileiro Mais Jovem”. Sua história de incansável trabalho e empreendedorismo é linda. Ao fim dos anos 80, com 50 e poucos anos e finalmente bilionário, resolveu “curtir a grana” e tornou-se um frequentador contumaz de festinhas badaladas e eventos sociais, sempre acompanhado de lindas jovens. Depois, do agronegócio, enveredou-se para a mineração e perdeu muito, muito dinheiro. Hoje ele é um velhinho de 83 anos, ainda rico, que não dispensa fotos com as ‘suas’ jovens, porém não pode mais curtir toda sua grana, já que a enfermidade não o deixa sair de casa, nem pras festinhas badaladas, e nem pros restaurantes, já que sua dieta é restritíssima.

Se por um lado significante parcela de pessoas gostariam de eliminar ou retardar os efeitos da velhice (rugas, óculos, barriga, careca… bengalas, cansaço, desânimo, cirurgias, remédios, fraldas geriátricas…) por outro, poucos querem abrir mão dos benefícios da velhice (sabedoria, conhecimento, erudição, experiências…). Carlos Drummond de Andrade disse: “Há duas épocas na vida em que a felicidade está numa caixa de bombons: infância e velhice”.  Alguém já disse que os velhos e as crianças se parecem muito. Eu creio. Ao menos ambos necessitam de mais atenção. Na juventude, pensamos em nós, em como extrair prazer da vida. Na maturidade, pensamos nos descendentes, em como proporcionar uma vida com mais chances de felicidade e sucesso para os filhos. Na velhice, voltamos a pensar em nós, em como torna-la menos pesada e onerosa e em como ainda extrair alguns prazeres da vida.

No capítulo 15 do Gênesis, o Criador fala o seguinte para Abraão: “Você terá uma velhice abençoada, morrerá em paz, será sepultado e encontrará seus antepassados no mundo dos mortos”. 

Incrível como Deus mira nos pontos certos
1. Velhice abençoada: saúde, prosperidade, descendência encaminhada…
2. Morrerá em paz: morte sem dores, sem doenças, sem intrigas familiares, mas… Tranquilamente… Em paz!
3. Encontrará seus antepassados: o futuro, renovação das esperanças. O “fim” não é o fim, mas uma passagem, um recomeço. Reencontro!

Um ponto que me chama muito a atenção nos textos bíblicos do Pentateuco é como que muitas promessas divinas aos personagens estão focadas na descendência e na morte destes. Os grandes consolos de Deus estão em duas categorias:

  • DESCENDÊNCIA: Dizer que os descendentes serão abençoados, ou terão sucesso, ou serão numerosos.
  • VELHICE: Dizer que a velhice será com saúde e com paz; com direito a um sepultamento honroso e que haverá vida após a morte, onde se encontra os antepassados.

Deus consola o homem na promessa da continuidade existencial: rever quem já não mais existe e ter certeza que o que se construiu não se perderá.

De fato, o ser humano não está mesmo preparado para o fim abrupto. Se com a morte física tudo se extinguisse, a existência deixaria de fazer sentido, não apenas sentido metafísico, espiritual… Mas também sentido racional: pra que viver? Sem esperanças a vida fica dura demais!

A matéria prima da religião é a esperança. Esperança de futuro melhor, esperança que a morte é uma nova vida, esperança que vou rever quem amei no passado, esperança de paz… Com a esperança a existência tem mais sentido, menos peso e é mais feliz. Eu não suportaria viver sem esperanças.

A velhice é inexorável, por isso, quem quiser ser feliz, tem de desenvolver a habilidade de lidar com este estado de vida cada ano mais perto, queiramos ou não. Platão foi pessimista com relação ao envelhecimento e afirmou que “Deve-se temer a velhice, porque ela nunca vem só. Bengalas são prova de idade e não de prudência”. Já o Nobel Gabriel Garcia Marquez (autor de “Cem Anos de Solidão”) compartilhou uma experiência pessoal: “O segredo de uma velhice agradável consiste apenas na assinatura de um honroso pacto com a solidão”. 

Ambas as citações nos fazem pensar: talvez Deus esteja certo. Talvez o grande consolo dos mais idosos seja a esperança. A esperança de que somos especiais? A esperança que nossa descendência será bem sucedida e nosso nome não morrerá precocemente na história?

Esperança… Acho que maturidade boa é aquela cheia de esperança…

Talvez a esperança que as saudades de nossos avós e pais serão debeladas num encontro cheio de gargalhadas e abraços com os antepassados, e assim, eternamente contaremos e ouviremos estórias, ouviremos boas músicas e dançaremos de alma leve…

Luciano Maia

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